É madrugada, e ela ali encantada...
Saíra pela janela, embrenhando-se na mata...
Seguiu seu instinto de fêmea no cio,
cruzou a planície, naquela noite enluarada...
Feromônios aguçados, atraíram o macho...
Às margens do rio contempla-o, sedenta...
Sua imagem refletida na água, ela observa,
ao olhar do lobo, que a espreita, está atenta...
Ele com certeza vê exatamente ao contrário...
Uma imagem da fêmea refletida na água...
E neste instante, ao nascer da lua cheia,
o encanto se completa...
Lobo e mulher, Loba e homem...
Como uma magia,
se encontram no meio do rio...
Seus corpos em brasa, pupilas dilatadas...
Se tocam, olhos nos olhos, corpos nus...
O desejo os aquece a pele,
não sentem frio...
Se amam ali, água pela cintura...
A neblina sublima, evapora lenta,
a magia se desfaz...
Ela desperta de sua nudez...
Agora saciada de seu instinto voraz...
A Mulher Loba, fêmea ainda no cio...
Deixa-o só no leito do rio...
Adentra o seio da mata, nua...
Fera e Mulher, assustada foge...
Ele insaciado, ainda faminto, vai atrás...
Abandona os limites de seu domínio de macho...
Adentra o reino daquela fêmea, destemido...
Outros machos uivam na colina...
Descendo a montanha salivando, segue audaz...
Segue os rastros dela sem temer o perigo...
O sol está prestes a nascer...
Exausto chega ao vilarejo, nu, precisa de abrigo...
Ruas desertas, sereno,
luz ofuscadas pela neblina...
Ele para, sente seus cheiros...
Uma janela aberta, ele se aproxima...
Aquele cheiro cada vez mais intenso...
Ele olha, é ela, linda despida...
Corpo escultural, despojada na cama,
saciada, adormecida...
Mas ele precisa ir,
está nu...está frio...
Precisa voltar pra casa, e sozinho,
ainda cruzar o rio...
Mas, de sua fêmea não vai desistir...
Vai voltar na próxima Lua cheia...
Sentiu o gosto dela em seu cio...
Ao cruzar o rio, aprendeu o caminho...
Bene