ANJO NEGRO
Olhando assim,
me sinto no céu...
Como um anjo,
caindo em queda livre...
Que a Terra,
não seja meu triste fim...
Meu algoz,
é o próprio inferno que me espera...
Já sinto arder,
todo o meu corpo...
Estou em chamas,
sou puro fogo...
Deliro...
Vejo tudo,
em preto e branco...
Pele nua...
Enquanto caio,
peco...
Imaginando,
este Paraíso perdido...
Nada mais me satisfaz,
o corpo nem a alma pecadora...
Nem a normalidade do Sol...
Nem o brilho das estrelas...
Nem a beleza da Lua...
Mas sim,
esta boca rubra...
Este corpo de pele escura...
Lambuzando-me nesta melanina...
A devorar-me num prazer virtuoso...
Toda a carne dura e crua...
Sugando-me todo o gozo...
Bene